Circuito Bio Matarazzo

O projeto Circuito Bio Matarazzo, com o objetivo de trazer oportunidades para o desenvolvimento do turismo sustentável, através da projeção de ações que levam em consideração os impactos ambientais, socioculturais e econômicos no Parque Piqueri visando à busca de equilíbrio entre o mercado, a comunidade e o ambiente gerando assim desenvolvimento sustentável.

Figura 1: Logo do projeto
Fonte: Arquivo pessoal
No entanto, foi preciso identificar a viabilidade de atividades de aventura e ecoturismo no espaço em estudo. Onde, primeiramente foi feito o levantamento de informações para a pesquisa de campo com aplicação de entrevistas para análise da demanda real e potencial, além de observar o entorno, no qual tem potencial para atrair demanda para o parque. Após a coleta dos dados, houve a tabulação e análise dos mesmos para identificar a viabilidade da aplicação da proposta.
Para alcançar o resultado pretendido buscamos fundamentos teóricos relativos ao assunto. Sobre a análise da oferta, onde discutiu-se, a história do local de estudo, perfil do público e motivação através de pesquisa de campo, análise da infraestrutura, sinalização com intuito de orientar os visitantes e o que o entorno do parque oferece ao público.
Para a elaboração do circuito, foi feito o estudo da capacidade de carga e mapeamento espacial que auxiliou na análise dos impactos ambientais evitando a degradação ambiental.


Figura 2: Mapeamento Espacial do Percurso
Fonte: Arquivo pessoal

Na questão legislação foram pesquisadas leis pertinentes ao uso do parque para a prática do circuito; e o patrocínio para o desenvolvimento do projeto. Quanto à gestão de segurança, adotamos as normas da ABNT, garantindo a segurança do participante minimizando os ricos de acidentes durante o percurso, qualificação e capacitação dos condutores e orientação e instrução do circuito, reduzindo assim os riscos e danos que eventualmente possam ocorrer.
Com o intuito de minimizar os impactos econômicos, socioculturais e ambientais, foi feito o mapeamento e análise dos efeitos multiplicadores de como gerenciá-los. E ainda a relação da sustentabilidade na aplicação do circuito Bio Matarazzo.
Organizando assim as informações, foi possível caracterizar a aplicação da gestão do projeto e análises das melhorias que podem ser feitas na gestão de um negócio turístico.
Espera-se que os participantes do circuito incorporem em seu cotidiano a sustentabilidade e analisem de que é possível praticar atividades turísticas que preservem o meio ambiente de uma forma lúdica e educacional.

Figura 3: E-mail marketing
Fonte: Arquivo Pessoal

A elaboração de projeto também teve como proposta a ampliação dos conhecimentos teóricos, aplicação da prática e conhecer outros campos de atuação profissional aos turismólogos.

Gestão de Segurança

Visando um sistema de gestão de segurança no turismo de aventura, é extremamente importante ressaltar os riscos e como tratá-los em determinadas eventualidades.

O primeiro passo é fazer o mapeamento de riscos com base no material da ABETA na apostila de Sistema de Gestão de Segurança e das NBR's, onde são identificados todos os riscos de uma atividades para assim análisa-los e avaliar o grau de cada risco.

De acordo com a Abeta, no Manual de boas práticas de sistema de gestão da segurança (2009), a análise de riscos é a combinação das probabilidades e consequências, tendo um resultado do nível de risco das situações de perigo possíveis na atividade.   Já a avaliação dos riscos determinará até que ponto o risco é admissível e através desses resultados é possível trabalhar na definição de tratamentos que devem ser planejados e implementados para os riscos apontados.

Após a coleta e análise de todos os dados mencionados acima é possível a elaboração da tabela abaixo.

Na tabela acima analisamos os riscos presentes na realização do Circuito Bio Matarazzo,projeto que será explicado no próximo post. O projeto teve como resultado de risco Verde, onde são aceitos e não necessitam de tratamento obrigatório para sua realização.

 

Segmentação Turística

Para o Ministério do Turismo, a segmentação é entendida como uma forma de organizar o turismo para fins de planejamento, gestão e mercado. Os segmentos turísticos podem ser estabelecidos a partir dos elementos de identidade da oferta e também das características e variáveis da demanda (BRASIL, Ministério do Turismo, 2006).

No segundo semestre de 2011 estudamos três segmentes em especial: Turismo de Aventura, Radical ou Ecoturismo. Vejamos o que eles são:

Turismo de Aventura: Baseado em Tahara, Alexandre K., Filho, Sandro Carnicelli & Schwartz, Gisele Maria (2006) explorar a busca de desafios, emoção, quebra de rotina, vivências junto à natureza. Estas atividades estão linkadas com atividade física e de lazer, mostrando que a busca pela qualidade de vida e/ou objetivos estéticos não precisam estar ligadas à ideia de realizar sacrifícios, mas sim ligada à ideia de prazer. Exemplo de atividade: trekking e arvorismo.

Fonte: http://turismo.culturamix.com/aventura/circuito-de-arvorismo

Turismo Radical: Baseado no artigo “Esportes Radicais você não pode ficar de fora!” (2007), esporte com alto grau de risco físico, que são praticados em condições extremas de altura, velocidade e emoção. Sendo necessários equipamentos de proteção, estado mental de calma e concentração. Exemplos: surf, mountain bike e bungee jumping.
Fonte: http://miorganicbodhi.blogspot.com/2011/04/mi-organic-bodhi.html

Ecoturismo: Com base no artigo “Ecoturismo no Brasil: teoria e realidade” (Cavalcante, Márcio, 2006) Ecoturismo é a prática de turismo de lazer, esportivo ou educacional, em áreas naturais, que se utiliza de forma sustentável dos patrimônios natural e cultural. Incentiva a sua conservação, promove a formação de consciência ambientalista e garante o bem estar das populações envolvidas.
Os principais objetivos do Ecoturismo:
·         Promover e desenvolver turismo com base cultural e ecologicamente sustentável;
·         Promover e incentivar investimentos em conservação dos recursos culturais e naturais utilizados;
·         Fazer com que a conservação beneficie materialmente comunidades envolvidas, pois somente servindo de fonte de renda alternativa estas se tomarão aliadas de ações conservacionistas;
·         Ser operado de acordo com critérios de mínimo impacto para ser uma ferramenta de proteção e conservação ambiental e cultural;
·         Educar e motivar pessoas através da participação e atividades a perceber a importância de áreas natural e culturalmente conservadas (EMBRATUR, 2004 apud CAVALCANTE, 2006).

Destacamos como exemplos de atividades de ecoturismo: Observações da fauna, caminhadas, tirolesa, entre outras.
Fonte: http://miorganicbodhi.blogspot.com/2011/04/mi-organic-bodhi.html

Os objetivos do Ecoturismo já dizem por si só a possibilidade da realização das atividades proporcionadas por este segmento. Além de trazer a consciência ambientalista, as estruturas necessárias são simples e não requer grandes elaborações.

Bibliografia

Brasil, Ministério do Turismo. Segmentação do Turismo: Marcos Conceituais. Brasília: Ministério do Turismo, 2006.

Cavalcante, Márcio Balbino. Ecoturismo no Brasil: teoria e realidade. Mundo Jovem, 2006.

Tahara, Alexandre K., Filho, Sandro Carnicelli & Schwartz, Gisele Maria. Meio Ambiente e Atividades de Aventura: Significados de participação. Rio Claro: Laboratório de Estudos do Lazer UNESP, 2006.

Motivações

Quando entramos na temática motivação é algo muito importante dentro do Turismo, pois a motivação é um dos fatores determinantes e de influência na decisão de compra do produto turístico.

A motivação está ligada com a oferta do produto, consequentemente atingimos a necessidade e desejos do público alvo(demanda). Com isso, é necessário estimular esses desejos e necessidades, para que a aquisição do produto ou serviço esteja além da expectativa do consumidor. Veja a figura a seguir, que aponta algumas das principais motivações no Turismo, que podem ser aplicadas no local de objeto de estudo:

Figura 1: Tipologia das motivações em Turismo.
Fonte: (Swarbrooke, John e Horner, Susan, 2002)

Todas essas motivações são geradas por desejos que influenciam na escolha da ida ao espaço que estão vinculadas a classificação dos fatores de motivação. Podemos listar alguns dos desejos que o público do parque motiva-se para frequentá- lo:
  • Desejo de relaxar;
  • Desejo de ter um hobby;
  • Desejo de visitar o parque;
  • Desejo de “dar um tempo” à sua casa, aproveitar um pouco do sol;
  • Desejo de desfrutar de um momento de lazer com seu círculo de amigos ou família;
  • Desejo de oportunidade de fazer exercícios físicos, para contrastar com seu estilo de vida sedentário e melhorias a saúde.

O autor cita ainda que as ações realizadas em grupo geralmente não compartilham das mesmas motivações e isso pode gerar as seguintes ações:
  •  As opiniões de um membro dominante podem prevalecer;
  • Os determinantes de cada indivíduo têm de ser satisfeitos de modo que mantenham o grupo unido e satisfeito;
  • Cada membro tomará o seu próprio caminho pelo menos parte do tempo.

A personalidade de um indivíduo, o estilo de vida, quem fará parte do grupo, características do local são alguns dos fatores que influenciam na tomada de decisão do consumidor, podendo adquirir ou não um produto ou serviço turístico.

Rafting

No Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e somente a 35 km de Florianópolis- SC localiza-se o Rio Cubatão do Sul e a base da Ativa Rafting e Aventuras, onde vivenciei a prática de uma atividade de aventura, a de Rafting. A prática foi realizada em 10 de Outubro de 2011, onde o ponto de partida foi do Hotel Praia Mole Park Hotel, localizado na Praia Mole, Florianópolis- SC.
Antes de irmos nos passaram as seguintes recomendações e informações:
O que levar:
  • Tênis para molhar;
  • Camiseta, shorts, sunga ou biquíni;
  • Muda de roupa seca e toalhas;
  • Protetor solar e repelente;
  • Documento de identidade.

A Ativa fornece:

  • Todo o equipamento;
  • Guias especializados;
  • Transporte de nossa base até a atividade e vice versa;
  • Seguro;
  • Roupas de neoprene e capas para o frio (opcional).

A Ativa se reserva o direito de transferir o Rafting para outro trecho se apresentar risco aos participantes. A avaliação de dificuldade se refere ao nível ideal para cada trecho, o que pode sofrer alterações com diferentes volumes de água nos rios.
Subimos para o ônibus em direção a cabeceira do Rio Cubatão por volta das 17h15. Lá nos passaram instruções básicas de segurança, fizemos alongamentos, colocamos os equipamentos de segurança (colete e capacete), ao final nos direcionamos até os botes onde os instrutores aguardavam-nos.

Fonte: Ativa Rafting

Todas as instruções que foram passadas verbalmente, o instrutor no bote mostrou na prática. Ensino-nos os comandos como os movimentos dos remos de “ré”, “frente”, “dentro” e “fora”, movimentos esses que direcionam o bote. Todos do bote devem seguir o sincronismo das duas pessoas que comandam a frente, pois se não houver um sincronismo da equipe o bote pode ficar rodando sem sair do lugar.
Estar ali naquele momento praticando esta aventura foi uma experiência inenarrável, é o “espírito da aventura” que entra no corpo e não deixa você parar, é o prazer, felicidade, a quebra de seus obstáculos, é o concentrar, e ao mesmo tempo se divertir, você se sente em êxtase, não se preocupa com nada só em viver aquele momento no qual as horas parecem passar como se fossem minutos. Tanto que a descida de rafting levou 1h30 e pareceu ter passado muito rápido.
Fonte: Ativa Rafting
A cada descida era uma surpresa, umas eram grandes, outras pequenas mais com um grande fluxo de água, todas com um grau de dificuldade diferente que não deixou a equipe cansada e nem desanimada, passamos por todas sem virar o bote. Ao final do percurso já era por volta das 18h45, saímos dos botes todos encharcados dos pés a cabeça, porém felizes.
Observei na prática que todos os profissionais ali presentes passaram por seleção e treinamentos para virar um instrutor de rafting. O condutor de rafting deve atender às Normas de Competências para Condutores de Aventura (ABNT NBR 15285), bem como às Normas para Condutores de Rafting (ABNT NBR 15370).  Segundo essas normas um condutor de rafting deve atender as seguintes exigências:

ü  Saber nadar;
ü  Possuir capacidade de liderança;
ü  Ter facilidade de se exprimir verbalmente, de se comunicar com os clientes e de motivá-los;
Além de estarem preocupados com a questão ambiental, no qual a Ativa se preocupa com a capacidade de carga do Rio Cubatão do Sul, limitando a quantidades de descida por dia e a distância de horários entre elas. 

Teoria do Fluxo

Mihaly Csikszentmihalyi nasceu em 1934 na cidade de Fiume, Itali. Ele é um professor de Psicologia que ficou conhecido por seu trabalho tanto no estudo da felicidade e da criatividade como o arquiteto da noção de fluxo e de seus anos de pesquisa e redação sobre o tema.  Mihaly recebeu seu B.A. em 1960 e seu Ph.D. em 1965, ambos da Universidade de Chicago.

O que tornou o doutor Csikszentmihalyi tão famoso é o seu trabalho pioneiro sobre o fenômeno denominado ‘fluxo’. “Fluxo é o estado de total absorção numa determinada atividade, que, embora possa ser exigente ou até mesmo estressante enquanto você a está realizando, oferece posteriormente um profundo senso de satisfação”.

Um dos livros que mais se sobressaiu foi: “A descoberta do fluxo – a psicologia do envolvimento na vida cotidiana” que  fala sobre descobrir os elementos-chave das atividades que levam o ser humano a encontrar a excelência em sua vida cotidiana. Trata-se de uma obra de inegável valor científico, apoiada em pesquisas realizadas com milhares de pessoas no mundo inteiro, obra essa que foi condensado no inovador trabalho denominado “Fluxo”.

A Teoria do Fluxo se aplica diferentemente a qualquer indivíduo. Mas, entretanto age da mesma forma. A experiência do fluxo funciona como um processo de aprendizagem.

Uma característica marcante dos trabalhos sobre o estado de fluxo publicados no Brasil é o seu parcimonioso trato conceitual sobre as dimensões constitutivas da “experiência ótima”, a saber: um balanço entre os desafios de uma atividade e as habilidades requeridas para superá-los, objetivos claros, feedback imediato, concentração na tarefa, controle percebido, uma perda da autoconsciência, uma percepção distorcida do tempo e a experiência autotélica (percebida como válida por si própria).

Quando se está em fluxo, o indivíduo é absorvido pela atividade realizada, por consequência de um estreitamento de foco, de modo que percepções e pensamentos irrelevantes são filtrados, pela perda de autoconsciência, pela resposta a um objetivo claro e pela sensação de controle sobre o ambiente. Raramente têm-se relatos de estado de fluxo em atividades de lazer passivo, como relaxar, descansar ou assistir televisão. Assim são aplicados em qualquer atividade de esporte.

Conforme visto em sala de aula, vídeos de atividades radicais, podemos exemplificar o fluxo. Como por exemplo, na atividade Base Jumper, onde o indivíduo salta de paraquedas de estruturas fixas como torres e montanhas.


Fonte: http://www.wayfaring.info/2009/07/13/base-jumping-amazing-dont-you-think/

Ao praticar Base Jumper o fluxo age trazendo a excitação, a confiança do autocontrole, superando limites. Os praticantes de atividades intensas dizem que o medo, os obstáculos, riscos e a fascinação pelo desconhecido dão força e motivação para ir em frente, onde esse é o auge da excitação humana.

O medo para eles não é uma barreira e sim um estimulo, onde ele é transferido em forma de energia para realizar a atividade, acelerando o ritmo cardíaco, respiração profunda e os sentidos sensíveis fazendo com que o corpo reaja para executar a atividade.

Fonte: http://www.wayfaring.info/2009/07/13/base-jumping-amazing-dont-you-think/

Então podemos dizer que o fluxo é um caçador de emoções, podendo vir de experiências intensas, expostas a riscos e que fascinam o praticante.


Turismo Sustentável e Pegada Ecológica

Turismo sustentável é preservar a natureza com a expansão do turismo, suprindo as necessidades dos turistas e dos locais que os recebem de maneira simultânea, minimizando os impactos que a demanda traz ao local, sem agredir o meio ambiente e os ecossistemas que coordenam a vida. Mantendo o crescimento econômico, equilíbrio ecológico e a equidade social. Em outras palavras, ele representa um equilíbrio aceitável entre necessidades atuais e futuras. 


Quando falamos de Turismo Sustentável, também podemos pensar em Pegada Ecológica, onde ela nos mostra até que ponto a nossa forma de viver está de acordo com a capacidade do planeta de oferecer, renovar seus recursos naturais e absorver os resíduos que geramos por muitos e muitos anos. Isto considerando que dividimos o espaço com outros seres vivos e que precisamos cuidar da nossa e das próximas gerações.

Abaixo podemos observar alguns dados do Planeta Sustentável, como exageros na utilização de um dos recursos naturais mais importantes para nossa sobrevivência, no primeiro infográfico, ÁGUA.
O segundo infográfico mostra algumas das consequências do aquecimento global, fato que ocorre por conta do aumento da emissão dos gases poluentes.




À indústria do turismo e aos destinos, cabe a responsabilidade de mitigar suas emissões, estabelecendo metas e indicadores para monitorar o progresso das ações prejudiciais ao meio ambiente. Utilizar energias renováveis e reduzir sua pegada ecológica esforçar-se para manter a biodiversidade local e engajar seus clientes neste processo é um ótimo meio de envolvimento.

Os turistas devem escolher os lugares para onde vão viajar, considerando os impactos econômicos, sociais, ambientais e climáticos em suas escolhas, levando em conta onde podem ter uma menor pegada de carbono ou compensar suas emissões quando não puderem ser reduzidas. Ao optar por passeios e serviços como no caso do referente projeto apresentado, devem dar preferências às atividades que preservem o meio ambiente e respeitem a cultura local.